Nossa História

Uma empresa que respira inovação

A história da Trópico foi forjada em um ambiente de pesquisa e desenvolvimento que lhe conferiu seu DNA inovador. Combinado com o espírito empreendedor de seus gestores, formou-se uma empresa moderna e dinâmica, com uma sólida cultura de inovação que se destaca na vanguarda tecnológica brasileira. Com produtos de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), a Trópico atua em diversos mercados, tais como operadoras de telecomunicação, agronegócio, utilities, defesa e segurança pública.

 

Tecnologia e empresa andam juntas

A história da Trópico começa em 1973, no âmbito de um acordo entre a Telebrás, então holding das operadoras brasileiras de telecomunicação, e a USP, num projeto denominado SISCOM (SIStema de COMutação).  A partir desse acordo desenvolveu-se o embrião de uma central de comutação digital e temporal nacional e, principalmente, foi possível agregar um grande capital intelectual para dar início aos ciclos de desenvolvimento tecnológico que culminaram nos produtos hoje disponíveis.

Em 1976, com o início das atividades do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Telebrás (CPqD), a equipe do projeto foi transferida para Campinas, onde cresceu e engajou-se no desenvolvimento da primeira central telefônica digital brasileira, denominada Trópico R, com capacidade de até 10.000 assinantes. A equipe passou a ter o desafio de intensificar as pesquisas, aplicar os resultados e trazer dividendos para a sociedade: domínio tecnológico por empresas brasileiras; geração de empregos qualificados e barateamento do preço das centrais.  Como consequência, aumentar o acesso da população aos serviços telefônicos, diminuir importações e melhorar a balança comercial brasileira.

A central Trópico R foi um sucesso, exatamente por ter sido desenvolvida para atender condições específicas da rede brasileira.  Por exemplo, do ponto de vista climático, foi projetada de forma a não necessitar ventilação forçada para resfriar-se, tolerando as situações extremas de temperatura e umidade do território nacional.  Isso lhe deu características de grande robustez, com um índice de falhas muito melhor que os produtos importados.

A política industrial era muito favorável, pois os produtos desenvolvidos pelo CPqD eram transferidos para indústrias nacionais que, por sua vez, absorviam a tecnologia, fabricavam e vendiam as centrais para as operadoras estatais a preços competitivos.  Uma porcentagem da receita de exploração do serviço telefônico era investida no CPqD, realimentando o ciclo. Em 1985, o grande sucesso alcançado levou ao início de um projeto de inovação mais ousado: uma central telefônica de 100.000 assinantes, denominada Trópico RA.  Essa central foi desenhada com uma arquitetura de software arrojada, utilizando processamento paralelo com divisão de carga sobre uma rede de processadores distribuída, mecanismo empregado para garantir alto desempenho e redundância, necessários para atender aos elevados níveis de confiabilidade exigidos, uma vez que a rede de telefonia é considerada um serviço de missão crítica. Numa época em que tais conceitos eram inéditos, os desafios foram grandes. Exigiu-se um intenso programa de desenvolvimento de itens complexos: hardware de processamento, sistema operacional em tempo real, rede local para interligação dos processadores, bem como toda linguagem de programação concorrente necessária para o desenvolvimento do software. Milhões de linhas de código foram escritas, centenas de pesquisadores foram envolvidos por anos a fio num dos maiores projetos de engenharia abaixo do equador, culminando em 1990 na primeira central de grande capacidade totalmente nacional. Hoje a tecnologia de centrais Trópico está fortemente presente na rede de telefonia brasileira, com cerca de 8 milhões de linhas vendidas, representando 20% da base instalada e mais de 1 bilhão de dólares de investimentos realizados em produtos nacionais.  São números que dão uma visão clara da importância dessa tecnologia na cadeia de valor da indústria de telecomunicações brasileira.

 

A Trópico como empresa

Com a privatização do Sistema Telebrás em 1998, o investimento de parte da receita das operadoras no desenvolvimento de produtos pelo CPqD deixou de existir. A sustentação do Projeto Trópico foi equacionada com a formação de uma nova empresa em 1999, independente, dedicada a industrializar, comercializar e continuar o desenvolvimento tecnológico das centrais telefônicas. Nascia a empresa Trópico Sistemas e Telecomunicações Ltda.

Se não bastassem as grandes mudanças no mercado causadas pela privatização do Sistema Telebrás, também estavam ocorrendo mudanças do ponto de vista tecnológico, com o surgimento do conceito de Redes de Nova Geração, em inglês NGN (Next Generation Networks). Os desafios se somavam: o surgimento das novas operadoras privadas, o controle por empresas estrangeiras que desconheciam que o Brasil possuía tecnologia própria de centrais digitais avançadas, a cisão tecnológica da NGN e o possível abandono da tecnologia de centrais digitais por comutação de circuitos que havia sido recentemente desenvolvida.

Nesse cenário desafiador, a decisão da Trópico foi arrojada, apostando mais uma vez na inovação: em vez de retrair-se, desenvolveu a tecnologia NGN antes mesmo dos grandes concorrentes transnacionais. A arquitetura extremamente moderna da central Trópico RA provou-se flexível o bastante para a evolução para a tecnologia NGN, onde a voz passou a ser transportada por uma rede de dados baseada em IP, o protocolo da Internet (tecnologia VoIP).

Os novos produtos foram batizados com o nome Vectura e, em pouco tempo, a Trópico já estava se posicionando no novo mercado privatizado, fazendo testes da nova tecnologia nas operadoras. Em 2004 ocorreu a primeira venda do Vectura SoftSwitch (VSS), um produto que executa o controle das chamadas nas redes NGN. Essa primeira venda foi emblemática, pois o Vectura SoftSwitch dividia a responsabilidade de controlar as chamadas telefônicas com outro equipamento de um grande fornecedor transnacional, podendo assumir 100% dos serviços em caso de sua falha, o que atestou que o produto da Trópico se equiparava a outros de classe mundial, tanto em capacidade como em funcionalidades.

 

A diversificação de produtos da Trópico

Após a Trópico ter desenvolvido o produto Vectura SoftSwitch para atender a demanda das Redes de Nova Geração, o mercado colocou novos desafios. A esperada evolução das redes de telefonia para a NGN caminhava a passos lentos, pois exigia grandes investimentos na rede IP e na troca de centrais telefônicas usuais.  Os fornecedores transnacionais também investiram em produtos para a NGN, mas descontinuaram o investimento na evolução dos produtos da geração anterior, parando de fabricar e comercializar as centrais por comutação de circuito. No caso da Trópico, como a central Trópico RA e o Vectura SoftSwitch compartilhavam a mesma arquitetura, ambos os produtos se mantiveram atualizados.

As operadoras passaram a viver uma situação desconfortável: era necessário trocar a tecnologia empregada em suas redes que se tornara obsoleta devido à falta de suporte pelos fornecedores transnacionais.  Por outro lado, a alternativa de implementar as novas tecnologias demandava investimentos muito grandes, uma vez que, por estarem na fase de introdução, os preços eram ainda bastante elevados.

Foi nesse contexto, sobre uma base instalada de 40 milhões de terminais tornados obsoletos e que não mais justificava investimentos, que a Agência Reguladora ANATEL veio a estabelecer mais obrigações às operadoras, como por exemplo a fatura detalhada de chamadas locais, a portabilidade de números e a adição do nono dígito nos números celulares. Essas demandas, somadas às necessidades do dia a dia das operadoras, tais como controlar fraudes cada vez mais complexas, exigiam a introdução de novos softwares em cada uma das centrais telefônicas, mas que não eram viáveis de serem contratados dos fabricantes.

A Trópico viu nesse cenário uma oportunidade e mais uma vez decidiu inovar desenvolvendo um roteador de sinalização intrusivo, o Vectura Signaling Server (VSI). O conhecimento profundo da rede de telefonia brasileira, cujas centrais trocam informação sobre as chamadas por mensagens de sinalização SS7 (System Signalling Number 7), permitiu à Trópico desenvolver um roteador para essas mensagens cujas funcionalidades vão além do roteamento usual do produto convencional do mercado.  O Vectura Signaling Server é capaz de alterar o conteúdo das mensagens entre as centrais, mudando o comportamento da rede, de maneira que o novo comportamento obtido corresponda àquele que seria executado pelo software requerido na central. Desta forma, quaisquer novas demandas de serviços na rede telefônica passaram a ser implementadas por meio de aplicações desenvolvidas no Vectura Signaling Server, centralizadamente, sem a necessidade de contratação de um software diferente para cada tipo de central.

Essa abordagem inovadora foi premiada pelo Monitor Group como uma das 101 inovações mais relevantes no Brasil.

Do ponto de vista de mercado, 70% da rede fixa brasileira passou a depender do Vectura Signaling Server, contabilizando cerca de 1,3 bilhões de transações (chamadas) processadas por dia, o que atesta seu impacto e a sua importância.

Outro produto com grande inovação é o Vectura Application Server (VAS). Trata-se de um servidor de aplicações compatível com a arquitetura IMS (IP Multimedia Subsystem) do 3GPP, instituição que padroniza as redes móveis celulares em nível global. IMS é uma arquitetura que utiliza as mesmas tecnologias de transporte de voz da NGN, porém com interfaces e blocos funcionais padronizados, podendo ser encarada como a sua evolução. A inovação da Trópico foi usar o bloco funcional Application Server da arquitetura IMS para implementar uma Plataforma de Atendimento a Clientes em nível de rede, ou seja, a plataforma não é instalada no call center, como é convencional, mas situa-se na rede de telefonia. A Trópico utilizou-se de tecnologia de reconhecimento de voz para interagir com os clientes, identificar qual o assunto da chamada, automatizar a prestação do serviço solicitado ou encaminhar a chamada para o operador humano treinado para o assunto. Essa plataforma reduziu os custos operacionais e melhorou a qualidade do atendimento aos clientes da operadora, que por consequência veio a ser premiada por uma entidade especializada, a Associação Brasileira de Telemarketing, como a melhor tecnologia de call center.

A importância dos produtos da Trópico nas redes de seus clientes representa uma grande responsabilidade, pois prestam serviços de forma centralizada, concentrando o tráfego telefônico de centenas de rotas e centrais, ou todo o atendimento a clientes, no caso do Vectura Application Server. Com tamanha relevância, problemas na rede podem afetar milhares ou até mesmo milhões de usuários. Para identificar e analisar possíveis problemas, a Trópico desenvolveu sistemas de gerência com novos conceitos, que acompanham os produtos da Trópico e dão visibilidade do negócio aos clientes. Esses sistemas armazenam o registro detalhado de cada chamada que foi processada pelo produto. A inovação é, a partir desses dados, correlacionar as informações afins para gerar indicadores de desempenho por meio de um software analítico. O sistema de gerência também analisa o comportamento dos usuários para identificar a ocorrência de falhas na rede e em seus elementos.

Atenta às tendências do mercado de telecomunicações, notoriamente o aumento da demanda por redes de banda larga e de mobilidade, a Trópico buscou ter soluções aderentes a essas necessidades, investindo no desenvolvimento de duas tecnologias: sistemas de comunicação banda larga sem fio e virtualização de funções de rede.

Para sistemas de comunicação banda larga sem fio, a Trópico decidiu focar em rádio bases e terminais especializados para redes de quarta geração (4G), usando a tecnologia LTE (Long Term Evolution), padronizada pelo 3GPP, porém em frequências abaixo de 1 GHz, para as quais a cobertura chega a dezenas de quilômetros da torre. Essa característica torna o produto excepcionalmente adequado à realidade brasileira, pois consegue cobrir de forma economicamente viável vastas regiões de baixa densidade populacional e, ao mesmo tempo, graças à excelente propagação indoor, atende perfeitamente as áreas urbanas.

A Trópico inovou novamente, com a concepção de uma rádio base compacta, que concentra todos os seus blocos funcionais em um único equipamento instalado na torre, proximamente à antena. Esse produto recebeu uma premiação de inovação do Anuário Telecom em 2015, por representar uma tecnologia sustentável, não requerendo o uso de abrigo climatizado na base da torre para hospedar qualquer tipo de equipamento. Disponível hoje em diversas bandas, esse produto tem sido considerado um elemento chave para atender mercados com demanda de conectividade de dados em área rural, como é o caso do agronegócio e de empresas de distribuição de energia elétrica, que possuem negócios de missão crítica e necessitam de uma rede dedicada para Internet das Coisas (IoT) ou Machine-to-Machine (M2M). Adicionalmente à desejada conectividade rural e aderente ao conceito de IoT, a Trópico também está incluindo em sua oferta seus recentes desenvolvimentos: terminais especializados, sensores, gateways de IoT e aplicações georeferenciadas, que agregam valor aos produtos de conectividade comercializados. Já estão disponíveis, por exemplo, aplicações para Agricultura de Precisão para o setor sucroenergético.

A Plataforma de Virtualização de Funções de Rede, denominada Vectura Virtual Edge, é outro produto inovador que acompanha as tendências atuais em telecomunicações (Cloud Computing). Primeiramente é importante conceituar o que vem a ser Virtualização de Funções de Rede, também conhecida pela sigla em inglês NFV (Network Function Virtualization, padronizado pelo ETSI). Trata-se de implementar funções de rede que normalmente são executadas em hardware de propósito específico (appliances) em hardware de processamento genérico (servidores). A Plataforma de Virtualização é uma infraestrutura de hardware (servidores) e software capaz de orquestrar a execução de diversas Funções de Rede Virtualizadas.

A adoção de NFV se justifica pela diminuição do custo de processamento, pelo aumento da capacidade de processamento dos servidores e pelo fato de as funções de rede poderem ser executadas por software, num ambiente virtualizado. A primeira aplicação comercial da Plataforma Vectura Virtual Edge é para virtualização do software dos equipamentos de usuário usados para oferecer acesso banda larga pelas operadoras (denominados CPE – Customer Premisses Equipment). A parte mais complexa do software desses terminais passa a ser executada na rede (por exemplo, as funções de NAT, DHCP e Firewall), de forma centralizada e homogênea para todos os terminais. Esse modelo traz ganhos operacionais significativos para a operadora, pois reduz o número de visitas físicas ao cliente e também facilita a introdução de novos serviços, o que leva a novas receitas.

A Plataforma Vectura Virtual Edge permite desenvolver novas aplicações com o desenvolvimento de novas funções de rede.  Isso significa que a Trópico vai continuar a oferecer ao mercado novos produtos inovadores para o mercado de banda larga.

A Trópico é uma empresa aberta a diferentes modelos de negócio, com alternativas flexíveis de remuneração dos produtos e serviços oferecidos aos seus clientes.

 

A Trópico Global

Com um portfólio de produtos diferenciado, competitivo e que atende à normas internacionais, a Trópico atualmente está dando o próximo passo em sua trajetória para tornar-se uma empresa global. Para isso conta com a solidez de seus processos e a capacitação técnica de seus colaboradores, com amplo conhecimento adquirido na diversidade encontrada na rede brasileira. Além de seu escritório atual na Colômbia e representação na Argentina e Portugal, a Trópico está desenvolvendo ações comerciais para a exportação de seus produtos hardware e software para outros países da América Latina, notoriamente Peru e México, além do continente africano.

O fato de possuir um Centro Integrado de Produção em Manaus, que lhe confere competividade para o mercado interno, também facilita a exportação, que prevê ser uma fonte importante de receita para os próximos anos.